Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Capítulo VI - Tradições - Literatura Oral

Lengalengas
         


        Hoje é Domingo
        Toca o sino.
        O sino é d'oiro
        Pica no toiro.
        O toiro é rico,
        Pica no burrico.
        O burrico é valente,
        Pica em toda a gente.



        Tamborilão,
        Cabeça de cão,
        Orelha de pato
        Não tem coração.
        Tamborilão,
        Eles lá  vão...  (Para andar no baloiço)



        Vai-te embora,
        Ó papão
        Para cima do telhado.
        Deixa dormir o menino
        Um  soninho descansado.  (Para embalar o bebé)



Poesia popular
        


        O meu amor me deixou
        Para ver o que fazia.
        Cuidava que eu chorava
        E eu canto de alegria.
       
        O meu amor é um bruto,
        Ainda lho torno a chamar:
        Na idade que nós temos
        Já me falou em casar.

        (...)
       
        O meu amor onte à noite
        Pela porta me passou.
        Por causa da vizinhança
        Nem o chapéu me tirou.
       
        O meu amor diz que vinha
        Quando a lua lá viesse.
        A lua já vai tão alta,
        O meu amor não aparece.


        
        Abaixa-te ó serra d'Aire
        Que eu quero ver a Atouguia,
        Quero ver o meu amor,
        O meu amor de algum dia.
       
        Algum dia era eu rosa,
        Rosa que andava na mão;
        Agora sou vassourinha
        Com que tu varres o chão.

        (...)

        Quando era pequenina
        Usava fitas e laços;
        Agora sou casada,
        Uso os meus filhos nos braços.

        Fui um dia passear
        Com tristeza e paixão:
        Vi uma cara mirrada,
        Vi as tábuas dum caixão.  (Quadra que se cantava durante a jorna, na apanha da azeitona, do outro da Serra d'Aire)


        
        Uma casa e carinho
        Para nela habitar,
        Uma cabra,
        Uma cabrinha,
        Um porquinho engordar,
        Uma esposa diligente
        Para doce companhia
        E cuidar dos seus filhinhos
        Cada noite e cada dia.
        E mais nada é preciso
        Para a vida com doçura
        Decorrer em paz tranquila
        Desde o berço à sepultura. (Síntese da filosofia de vida dos camponeses)



       
Contos para crianças



        "A criança raptada"

        Era uma vez um menino que não tinha pai nem mãe. Vivia muito triste e sozinho. Um dia os ladrões agarraram-no e levaram-no para uma loca que havia debaixo da terra. E disseram-lhe:
        - Tu não te atrevas a fugir daqui. Vês a pele daquele que ali está? Acontece-te o mesmo a ti.
        O menino tremia de medo mas não podia fazer nada. Um dia, quando os ladrões saíram, o menino fez um buraco e fugiu. Teve sorte. Foi por outro caminho e assim chegou à cidade. Foi acolhido por um senhor que não tinha filhos e foi muito feliz.
        Os ladrões foram todos presos.



        "Conto do Sal"

        Era uma vez um rei que tinha duas filhas. Chamou-as e disse-lhes:
        - Quero saber qual de vocês me quer mais.
        A mais velha disse-lhe:
        - Eu quero mais ao meu pai do que ninguém.
        A mais nova disse ao pai que lhe queria tanto como a comida queria o sal. O pai ficou muito aborrecido e pôs a filha fora de casa.
        A menina, com frio e fome, foi pedir trabalho a um senhor de uma quinta. O senhor aceitou-a para guardar patos. Deram-lhe um cana e lá foi muito triste. E ia dizendo, pé aqui, pé ali: "A filha do rei a guardar patos foi coisa que nunca imaginei ver.".
        Um dia o rei foi passear e foi almoçar a uma estalagem. Por sorte esqueceram-se de deitar sal na comida e o rei não comeu. Depois começou a pensar que a filha tinha muita razão, mandou-a a chamar e pediu-lhe muitas desculpas e foram felizes.

Publicado por Um Olhar Sobre Fátima às 12:15
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